"Estava em tudo e em lugar nenhum, e gritava: NÃO QUERO MAIS SER EU"
Assim, subitamente, Maria Lúcia acordara de um sonho que não era sonho, mas sim uma daquelas reflexões em que nós perdemos na distinção do que é real e o que é pensamento.
Levantou-se, agora observava um espelho e pensava: NÃO QUERO MAIS SER EU, essa afirmação não saia-lhe da cabeça. Por um instante lhe ocorreu a impressão de ter ouvido um resposta: QUAL EU?
Espantada, prende seu olhar fixamente ao espelho, e num tombo de lucidez, se perde novamente em pensamentos, perdida, sem rumo, sem chão, num plano complexo, complexado. QUAL EU? Existia mais de um eu em um só ser humano? Não sabia de fato responder a essa questão, mas no momento beirava a dúvida por se dizer que sim.
E se realmente houvesse de ter que ser sim essa resposta?
Maria Lúcia aceitou o sim, não quero mais ser eu, esse eu que todo mundo vê, que todo mundo sente, que todos presenciam, mas que no fundo não sou eu.
-Vontade de viver- era o que soava do espelho; Maria Lúcia queria viver o eu que tem como garantia aproveitar o sublime que a vida nos oferece, para que na hora de sua morte não viesse-lhe a cabeça a ideia de que não tinha vivido. E repetia Maria Lúcia:
-Quero largar tudo o que faço para fazer o que quero, quero largar tudo o que faço para fazer o que quero; quero fazer tudo o que quero e largar tudo o que faço. Eu quero largar tudo o que faço?
E nesse exato momento lhe veio a dúvida de qual eu era melhor para se ser, o eu que vivia na comodidade da vida como ela é, ou o eu da vontade de viver, o eu livre sem medo do ridículo; a dúvida era grande, densa, pesava-lhe em suas costas. E vontade de viver gritava por dentro: DEIXE-ME SER, Maria Lúcia, me acolha em seus braços, dê-me forças para existir, DEIXE-ME SER, Maria Lúcia.
Ainda com o olhar fixo no espelho, não estava compenetrada de que a vontade de viver era a melhor escolha, mas pensava deliciosamente como seria fazer tudo o que desejava, e deixar de ser esse eu que não era eu. Contudo, vinha a dúvida, esta existia. A dúvida era maior que a vontade de viver, a dúvida era maior, mesmo que de algum modo, a revelia dela lhe tivesse passado pela cabeça a vontade de viver, já era tarde, a comodidade talvez lhe caísse bem, era tarde, apagava a luz, não se via mais o espelho. Maria Lúcia era um só eu e dormia.
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
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| Letras ;D |
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério
O único mistério é haver quem pense no mistério
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os ohos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filosófos e de todos os poetas
A luz do sol não sabe o que faz.
E por isso não erra e é comum e boa.
Alberto Caeiro
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Clarice e a essência do mundo
"(...)Ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe. Mãe é para isso. - O ovo vive foragido por estar por estar sempre adiantado demais para a sua época. - Ovo por enquanto será sempre revolucionário. - Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam o ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida. Chamar de branco aquilo que é branco pode destruir a humanidade. Uma vez um homem foi acusado de ser o que ele era, e foi chamado de Aquele Homem. Não tinham mentido: Ele era. Mas até hoje ainda não nos recuperamos, uns após outros. A lei geral pra continuarmos vivos: pode-se dizer "um rosto bonito", mas quem disser "o rosto" morre; por ter esgotado o assunto(...)"
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
declarações 1.7
Quando penso em um amor sincero...
a primeira coisa que vem a cabeça é a sétimas turma.
Aos terceiros anistas
É triste saber de o que irei falar agora contém um pouco de tristeza. É também triste colocar isso num papel, pois quando criamos registros, escrevemos, ou até mesmo falamos, a situação se torna real, e essa realidade é uma que muitos de nós estamos fugindo há algum tempo, é o dia que nós sabíamos que chegaria, mas não gostaríamos muito que chegasse.
Dentro de nossas paredes
Dentro dessa escola a realidade é algo engraçado de se comentar, realmente como muitos dizem criamos um “mundinho paralelo” ao que se julga real, só quem vivencia a experiência Juarez sabe de fato o que essa escola nos proporciona. São tantas histórias que se juntam, tanta experiências, tantas visões de mundo, criando um universo único, nosso, que compartilhamos durante três anos, com seus 200 dias letivos cada, a as 10 horas de cada dia. É bastante tempo se formos analisar, imagine então quantas novas histórias, novas amizades, novos amores [mimimi], novos aprendizados, alguns até mesmo dizem novas famílias, e que famílias...
Acontece no Juarez enquanto o ônibus não vem
Me lembro ainda hoje do primeiro dia de aula do primeiro ano, as primeiras impressões, primeiras conversas... Nunca que naquele dia, 4 de fevereiro de 2008, eu ia imaginar que iria amar tanto o Juarez como eu o amo hoje. Mas com o passar do tempo, com a convivência, fomos vivendo e aprendendo, descobrindo, o que é ser Juarez.
No primeiro momento as apresentações, os estranhamentos, os separamentos de arroz e feijão nas bandejas, e num piscar de olhos já estávamos num momento íntimo, todo mundo no retângulo, aulas de Helen acordando as pessoas com tampas de canetão, grupos de física do fusquinha, gincanas de química, aprender coisas bonitas com a Denilce para impressionar a sogra, facião né, pode colocar na prova, tirar primeiras fotos de turma no Masp, ouvir a Regina contando as coisas de jeito engraçado, pessoas balangando e dependurando o chuveiro, se divertir fazendo e vendo os teatros, vídeos, de artes, informática, inglês, português. tongue twisters, scrapbooks, festa das funções de quem dança com quem, aprender sobre o olhar do observador, que a formiga não come folha, que seleção natural é a resposta de 80% mais ou menos das perguntas de biologia, tabelas periódicas, todo mundo a cantar período é tempo frequência são às vezes, coletar água no riozinho, colar massinha nas àrvores da agro.
E então, a primeira separação, os vídeos de fim de ano, as músicas dos vídeos de ano que nos lembramos até hoje, a choradeira, enfim a separação de que venha Segundão. E que Segundão meu deus, segundo lindo, décadas lindas, descobertas de talentos escondidos, e que talentos, aflorando mais a cada segundo passado, sendo na confecção do almanaque, ou na apresentação lúdica. Dia que ai ficar bem guardado para sempre na mente e coração de todo mundo. Dias após décadas, de arrumar toda a bagunça. O profº André gritando pelo corredor morula blastula gastrula neurula, as aulas de Cássia, sucesso na carreira, piadas do Wander e seus mols de banana, trilha bonita de São Francisco, as brigas que todo relacionamento tem que ter, Alternativas Sustentáveis e mais um monte de história bonita que se ficasse descrevendo não terminaria nunca.
Esse Ano
E quem pensa que terceiro ano não se diverte também, mesmo tendo 10000 litros de conhecimento para tomar um pouquinho por dia, Só de estar com vocês o dia já fica bom, nós vemos o apoio que cada um dá para o outro, são amizades singulares, para a vida toda.
Epifania
O jeitinho no stress de resolver as coisas e dar tudo bem no final, cada sala que nos apaixonamos, encontrar gente tão igual a gente, Rizete confundindo tomé com migué, amigo é coisa para se guardar do lado meio do peito, diversão gratuita no Museu Ipiranga, gato mia, pega-pega, esconde-esconde, melhor torcida, melhores músicas, equipe azul, ogroball, meninas da laje, gurias e guris, galere dos esportes, handarte, saudosa maloca, as minas do rei salomão, galere da música, das artes, mioscks, brotherhood, Abrolhos, Itaparica, Marajó, Paquetá, Noronha, AleAlexandria, Babi, Menmenfis, Mileto do gueto, Tróia Jóia, Ares, Demis, Eros, Hefesto, Palas, JUAREZ. A falta é irremediável na vida, ainda mais se tratando de raízes.
Novo Começo
A falta faz parte, mas devemos ver os lados positivos, afinal um dia a gente tem que aprender a ser gente grande.
Sobre vocês? cada um é insubstituível, cada um, completando um todo muito bonito, a sétima turma, agradecimentos? A todos que tornaram esses três anos possivéis, cada aluno, cada funcionário, cada professor, cada pessoa de casa, todo mundo lindo que sempre dão força para que continuemos nossa caminhada.
Esses três anos são simplesmente sem palavras para descrever, a gente tem até um hino, ROGER É GAY, a segurança, o conforto, a preocupação com o amiguinho, essa coisa estável, essa solidez, a presença humana, a fraternidade que cresceu entre nós, momentos ímpares de prazer e alegria, Juarez Destruidor <3, não há como esquecer, vai ficar sempre fresco na memória, e para os que nos questionam o porquê de toda essa falta, que não precisa se preocupar, que com o tempo a gente esquece, então pra esses eu tenho a dizer VOCÊS NÃO SABEM DE NADA.
A falta vem da não presença da compatibilidade, da não presença dos 202, e espero que nós nos vemos muito ainda, porque se não vou ter que dizer Oh galerinha, vocês não estão cumprindo o combinado.
"Veja o que todo mundo vê, veja o que ninguém vê,
por medo, acomodação ou preguiça
Veja um mundo novo à cada dia"
E a gente viu, a gente se uniu, se divertiu, nós brigamos, nos reconciliamos, demos muitas risadas.
Apesar das diferenças, das contradições, das singularidades
Nós criamos um laço inquebrável, e esse ano é nossa vez de se unir no final da festa de décadas e vermos quantas coisas bonitas vamos levar pela vida, quanta coisa nós conquistamos, quanta UNIÃO.
É terceirão, um só coração.
RAÇA, AMOR e PAIXÃO!
a primeira coisa que vem a cabeça é a sétimas turma.
Aos terceiros anistas
É triste saber de o que irei falar agora contém um pouco de tristeza. É também triste colocar isso num papel, pois quando criamos registros, escrevemos, ou até mesmo falamos, a situação se torna real, e essa realidade é uma que muitos de nós estamos fugindo há algum tempo, é o dia que nós sabíamos que chegaria, mas não gostaríamos muito que chegasse.
Dentro de nossas paredes
Dentro dessa escola a realidade é algo engraçado de se comentar, realmente como muitos dizem criamos um “mundinho paralelo” ao que se julga real, só quem vivencia a experiência Juarez sabe de fato o que essa escola nos proporciona. São tantas histórias que se juntam, tanta experiências, tantas visões de mundo, criando um universo único, nosso, que compartilhamos durante três anos, com seus 200 dias letivos cada, a as 10 horas de cada dia. É bastante tempo se formos analisar, imagine então quantas novas histórias, novas amizades, novos amores [mimimi], novos aprendizados, alguns até mesmo dizem novas famílias, e que famílias...
Acontece no Juarez enquanto o ônibus não vem
Me lembro ainda hoje do primeiro dia de aula do primeiro ano, as primeiras impressões, primeiras conversas... Nunca que naquele dia, 4 de fevereiro de 2008, eu ia imaginar que iria amar tanto o Juarez como eu o amo hoje. Mas com o passar do tempo, com a convivência, fomos vivendo e aprendendo, descobrindo, o que é ser Juarez.
No primeiro momento as apresentações, os estranhamentos, os separamentos de arroz e feijão nas bandejas, e num piscar de olhos já estávamos num momento íntimo, todo mundo no retângulo, aulas de Helen acordando as pessoas com tampas de canetão, grupos de física do fusquinha, gincanas de química, aprender coisas bonitas com a Denilce para impressionar a sogra, facião né, pode colocar na prova, tirar primeiras fotos de turma no Masp, ouvir a Regina contando as coisas de jeito engraçado, pessoas balangando e dependurando o chuveiro, se divertir fazendo e vendo os teatros, vídeos, de artes, informática, inglês, português. tongue twisters, scrapbooks, festa das funções de quem dança com quem, aprender sobre o olhar do observador, que a formiga não come folha, que seleção natural é a resposta de 80% mais ou menos das perguntas de biologia, tabelas periódicas, todo mundo a cantar período é tempo frequência são às vezes, coletar água no riozinho, colar massinha nas àrvores da agro.
E então, a primeira separação, os vídeos de fim de ano, as músicas dos vídeos de ano que nos lembramos até hoje, a choradeira, enfim a separação de que venha Segundão. E que Segundão meu deus, segundo lindo, décadas lindas, descobertas de talentos escondidos, e que talentos, aflorando mais a cada segundo passado, sendo na confecção do almanaque, ou na apresentação lúdica. Dia que ai ficar bem guardado para sempre na mente e coração de todo mundo. Dias após décadas, de arrumar toda a bagunça. O profº André gritando pelo corredor morula blastula gastrula neurula, as aulas de Cássia, sucesso na carreira, piadas do Wander e seus mols de banana, trilha bonita de São Francisco, as brigas que todo relacionamento tem que ter, Alternativas Sustentáveis e mais um monte de história bonita que se ficasse descrevendo não terminaria nunca.
Esse Ano
E quem pensa que terceiro ano não se diverte também, mesmo tendo 10000 litros de conhecimento para tomar um pouquinho por dia, Só de estar com vocês o dia já fica bom, nós vemos o apoio que cada um dá para o outro, são amizades singulares, para a vida toda.
Epifania
O jeitinho no stress de resolver as coisas e dar tudo bem no final, cada sala que nos apaixonamos, encontrar gente tão igual a gente, Rizete confundindo tomé com migué, amigo é coisa para se guardar do lado meio do peito, diversão gratuita no Museu Ipiranga, gato mia, pega-pega, esconde-esconde, melhor torcida, melhores músicas, equipe azul, ogroball, meninas da laje, gurias e guris, galere dos esportes, handarte, saudosa maloca, as minas do rei salomão, galere da música, das artes, mioscks, brotherhood, Abrolhos, Itaparica, Marajó, Paquetá, Noronha, AleAlexandria, Babi, Menmenfis, Mileto do gueto, Tróia Jóia, Ares, Demis, Eros, Hefesto, Palas, JUAREZ. A falta é irremediável na vida, ainda mais se tratando de raízes.
Novo Começo
A falta faz parte, mas devemos ver os lados positivos, afinal um dia a gente tem que aprender a ser gente grande.
Sobre vocês? cada um é insubstituível, cada um, completando um todo muito bonito, a sétima turma, agradecimentos? A todos que tornaram esses três anos possivéis, cada aluno, cada funcionário, cada professor, cada pessoa de casa, todo mundo lindo que sempre dão força para que continuemos nossa caminhada.
Esses três anos são simplesmente sem palavras para descrever, a gente tem até um hino, ROGER É GAY, a segurança, o conforto, a preocupação com o amiguinho, essa coisa estável, essa solidez, a presença humana, a fraternidade que cresceu entre nós, momentos ímpares de prazer e alegria, Juarez Destruidor <3, não há como esquecer, vai ficar sempre fresco na memória, e para os que nos questionam o porquê de toda essa falta, que não precisa se preocupar, que com o tempo a gente esquece, então pra esses eu tenho a dizer VOCÊS NÃO SABEM DE NADA.
A falta vem da não presença da compatibilidade, da não presença dos 202, e espero que nós nos vemos muito ainda, porque se não vou ter que dizer Oh galerinha, vocês não estão cumprindo o combinado.
"Veja o que todo mundo vê, veja o que ninguém vê,
por medo, acomodação ou preguiça
Veja um mundo novo à cada dia"
E a gente viu, a gente se uniu, se divertiu, nós brigamos, nos reconciliamos, demos muitas risadas.
Apesar das diferenças, das contradições, das singularidades
Nós criamos um laço inquebrável, e esse ano é nossa vez de se unir no final da festa de décadas e vermos quantas coisas bonitas vamos levar pela vida, quanta coisa nós conquistamos, quanta UNIÃO.
É terceirão, um só coração.
RAÇA, AMOR e PAIXÃO!
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